Depois do comboio, será uma ecopista a ligar os concelhos de Viseu, Tondela e Santa Comba Dão. É que os três municipios já decidiram avançar com uma candidatura conjunto ao próximo Quadro de Referência Estratégico Nacional tendo em vista a concretização do projecto. O custo do projecto deve rondar 1,5 milhões de euros.
Viseu, Tondela e Santa Comba Dão estiveram no passado ligados pelo comboio que circulava no ramal do Dão mas, de futuro, deverão ser as bicicletas e outros meios amigos do ambiente a “invadir” os 50 quilómetros do traçado.Aproveitando o facto de o Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) privilegiar candidaturas intermunicipais, os autarcas dos três concelhos decidiram unir os projectos que já tinham definido isoladamente. “Ficará a maior ecopista do país. Mas, acima de tudo, agrada-me a inter-municipalidade e a possibilidade de os três territórios ficarem novamente ligados, num regresso ao passado”, afirmou à Agência Lusa o presidente da Câmara de Tondela, Carlos Marta. Viseu era o concelho que tinha o projecto da ecopista em fase mais avançada, tendo em Abril sido inaugurado o seu primeiro troço, de oito quilómetros, entre a zona urbana e Figueiró, que custou mais de 400 mil euros e por onde terão já passado “milhares largos de pessoas”, segundo o seu presidente, Fernando Ruas.Vinte e dois quilómetrosPara completar os cerca de 22 quilómetros de ramal do concelho, teriam ainda de ser construídos mais dois troços, um entre Figueiró e Torredeita (que integra a ponte do Mosteirinho) e outro até ao limite com Tondela.Até ao final do ano, a autarquia vai acabar de iluminar o troço já inaugurado, como estava programado, mas o resto ficará à espera do projecto supra-municipal, explicou Fernando Ruas. “É muito mais interessante que seja assim. É um projecto que dá proximidade e afinidade aos três concelhos, que têm três cidades”, frisou.O presidente da Câmara de Santa Comba Dão, João Lourenço, destacou a importância de quem decidir percorrer todo o traçado não encontrar diferenças entre concelhos em termos de piso, sinalização e estruturas de apoio. Neste caso, o projecto para os nove quilómetros do ramal do Dão (até ao Vimieiro), orçado em cerca de 1,5 milhão de euros, “já tinha sido candidatado o ano passado, mas por falta de verbas não foi aceite”, contou.Com a candidatura conjunta ao QREN, renascem no autarca as esperanças de ver construída a ecopista, um dos projectos que considerada alavancadores da actividade turística no concelho, a par do Museu do Estado Novo que pretende construir nas casas que pertenceram a António Salazar e da futura exploração das termas do Granjal. “Sendo um traçado florestal e acompanhando o Rio Dão é sempre muito bonito, praticamente até Viseu”, considerou João Lourenço.No que respeita ao seu concelho, destacou como principais pontos de interesse a ponte metálica sobre o Rio Dão, a estação de Treixedo (situada na Póvoa de João Dias) - onde deverá surgir um restaurante - e a zona de Nagosela, onde a linha passava “mesmo junto ao rio e que tem uma paisagem especial”.DesactivaçãoDepois da desactivação do ramal do Dão, há mais de duas décadas, foram levantadas todas as linhas e travessas e, actualmente, apenas existem muitas pedras na plataforma.“Há um troço que serve como estrada, que dá acesso a um empreendimento turístico (a Quinta do Rio Dão). O resto está abandonado, é utilizado normalmente pelos veículos todo o terreno”, contou.No concelho de Tondela, alguns dos edifícios que davam apoio aos 19 quilómetros do ramal do Dão já estão a ser utilizados por associações, nomeadamente as estações da cidade, a da Naia e parte da de Sabugosa. Por recuperar estão as estações de Parada de Gonta e a de Tonda, estando previsto criar na primeira “um pequeno museu ligado à ferrovia”, contou à Lusa Carlos Marta.A ponte metálica de Tondela no Rio Dinha, “que precisa de ser totalmente recuperada”, e o túnel com cerca de 80 metros na Póvoa de Catarina, que pertence metade a Viseu e metade a Tondela, são outros pontos de interesse destacados pelo autarca. O estudo que tinha já sido feito para o projecto de Tondela, no qual participou um técnico da CP, identificou ainda “os locais dos refúgios onde os pastores se recolhiam com as ovelhas quando passava o comboio”, que deverão ser arranjados e tornados visitáveis.InvestimentoNo total, o projecto da ecopista de Tondela previa um investimento de 1,5 milhão de euros. Depois do encontro que houve em Agosto entre autarcas e técnicos para abordar a possibilidade de candidatar um projecto comum ao QREN, deverá realizar-se até ao final deste mês a primeira reunião técnica.
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