O ex-cabo da GNR de Santa Comba Dão António Costa começa a ser julgado segunda-feira no Tribunal da Figueira da Foz, acusado do homicídio de três jovens, suas vizinhas, incorrendo na pena máxima de 25 anos.
O militar reformado é acusado de ter cometido 10 crimes, três de homicídio qualificado, três de ocultação de cadáver, um de profanação de cadáver, dois de coacção sexual na forma tentada e um de denúncia caluniosa.
António Costa, que está detido preventivamente, residia em Cabecinha de Rei, Santa Comba Dão, próximo das três jovens assassinadas: Isabel Isidoro e Joana Oliveira, ambas de 18 anos, e Mariana Lourenço, de 19.
Mantinha com a família das vítimas um contacto quase diário e conhecia as jovens desde crianças. A sua detenção, pela Polícia Judiciária, em Junho do ano passado, provocou uma onda de choque e sentimentos de revolta na população local, incrédula pelas alegadas atrocidades atribuídas ao ex-GNR.
Isabel Isidoro terá sido a primeira vítima do antigo militar da GNR: a jovem desapareceu a 24 de Maio de 2005, mas os pais não comunicaram o sucedido às autoridades, por pensarem que tinha emigrado para França.
O cadáver foi encontrado a 31 de Maio de 2005 na praia da Figueira da Foz e sepultado no cemitério da mesma cidade, na zona destinada aos corpos não identificados.
Posteriormente, em Julho de 2006, o corpo de Isabel Isidoro foi exumado do cemitério daquela cidade balnear (onde o ex-GNR possui uma casa), sendo depois transportado para Santa Comba Dão, onde foi sepultado.
O corpo de Mariana Lourenço - a segunda jovem a desaparecer, em Outubro de 2005 - foi encontrado no rio Mondego, na zona de Penacova: uma parte a 01 de Junho de 2006 e as pernas a 28 do mesmo mês.
Parte do cadáver foi descoberto na barragem da Raiva (localmente conhecida por barragem do Coiço) e a restante na mini-hídrica de Penacova, por trabalhadores que procediam à limpeza de detritos acumulados nas grelhas daquela estrutura, local por onde entra a água usada na produção de electricidade.
Joana Oliveira foi a última das jovens a desaparecer, alegadamente no percurso entre a escola onde estudava e a sua residência, a 08 de Maio de 2006, tendo o seu corpo sido encontrado a 24 de Junho, igualmente no rio Mondego.
Na sequência do desaparecimento de Joana Oliveira, a família espalhou cartazes pela vila e alertou as autoridades.
Confrontados com os outros desaparecimentos (dois no espaço de um ano, de jovens da mesma idade e residentes na mesma zona), os investigadores equacionaram a hipótese de estarem na presença de um «serial killer».
O julgamento de António Costa começa segunda-feira, no Tribunal Judicial da Figueira da Foz, sob fortes medidas de segurança.
Fonte da PSP assegurou que existirá um reforço de efectivos policiais no local e o acesso à sala de audiências será controlado com recurso a detectores de metais.
Diário Digital / Lusa